Dissidia Final Fantasy NT

Desde que anunciado somente para arcades japoneses, Dissidia Final Fantasy NT me era um desejável “pedaço de software gamer”. Fugindo do legado da franquia Dissidia, NT sai dos combates 1 x 1 e abraça os combates por equipe 3 x 3.

A mudança de foco de combate, bem como o lançamento inicial focado para os arcades japoneses, faz todo o sentido. No Japão esse tipo de jogo é muito popular nas casas de jogos eletrônicos. A título de curiosidade, pesquisem sobre os jogos Gundam Versus no Japão e entenda o tamanho desse mercado por lá.

Por muito tempo Dissidia Final Fantasy NT foi o arcade número 1 do Japão em popularidade e ainda hoje é um dos jogos mais apreciados e jogados pelos japoneses. Dado tamanho sucesso, o óbvio aconteceu: o game ganhou uma versão para consoles, exclusiva para Playstation 4.

Sucesso nos arcades japoneses e alto hype em seu período de pré-lançamento no Playstation 4, considerar que Dissidia Final Fantasy NT seria um sucesso também nos consoles caseiros seria o lógico.

Entretanto, a realidade de Dissidia NT no Playstation 4 foi totalmente aquém das expectativas. O game foi duramente criticado pela crítica especializada e pelos próprio gamers que o adquiriram (em especial por fãs dos jogos antigos de Dissidia), o que resultou em baixíssimas vendas no ocidente (no Japão ele não foi tão mal) e tentativas agressivas da Square Enix de fazer crescer a popularidade do game ao redor do mundo.

Desenvolvido por demanda pela Team Ninja e distribuído pela Square Enix, Dissidia Final Fantasy NT começou errado nos consoles já em sua data de lançamento.

Disponibilizado mundialmente na data de 30/01/2018, Dissidia NT foi lançado dois dias depois de dois colossos daquele ano: Monster Hunter World e Dragon Ball FighterZ. O primeiro foi um sucesso relativamente inesperado, sendo inclusive considerado um dos melhores jogos daquele ano, o segundo era sucesso anunciado, vendeu igual água no deserto e brigava relativamente pelo mesmo público que Dissidia NT.

Enfrentar no lançamento um dos melhores fighting games da geração e Monster Hunter World com certeza não foi uma das decisões mais brilhantes, mas por certo não definiria por consequência um fracasso comercial. Infelizmente, somado a isso, somam-se as más críticas e ao mal recebimento do game pelo público e isso independe de qualquer coisa que não seja mérito do próprio game (ou demérito).

Sendo totalmente honesto, Dissidia NT não é um jogo ruim. O pacote audiovisual é muito bom, os controles são responsivos, o elenco é variado e numeroso, o gameplay é simples para o jogador casual e tem elementos que fazem o jogador mais dedicado ter claras vantagens em combates. O principal problema de Dissidia NT é conteúdo.

O modo de história nada mais é do que cenas não interativas contando a história sem graça e sem carisma que o jogo possui. No geral essas cenas não possuem nada demais que não seja a interação entre personagens de games diferentes da franquia Final Fantasy.

Cada seguimento de história deve ser desbloqueado se usando de um item específico para tal. Esse item é adquirido jogando Dissidia NT em seus modos de jogo. Basicamente o modo de história sequer deve contar como um modo de jogo propriamente dito.

O tutorial, que também não deve ser considerado um modo de jogo, ensina os comandos e elementos básicos de jogo.

Caso não queira jogar online, Dissidia NT possui somente um modo de jogo. Isso mesmo, apenas um. Nele é possível escolher seu trio (dois chars são controlados pelo jogo) em duas modalidades de combates distintas: o combate direto em que vence quem conseguir incapacitar três vezes qualquer char do time adversário ou o modo em que o que vale é destruir o cristal do time inimigo.

Um modo de jogo é tudo o que Dissidia NT oferece ao jogador que não queira se aventurar pelo mundo online.

Na jogatina online o game apresenta basicamente partidas ranqueadas ou não, com times fechados (três jogadores em uma party já composta) ou randômicos (o jogo se encarrega de encontrar dois players para fechar a equipe).

Não sei pessoalmente o quão bom (ou ruim) é o netcode de Dissidia Final Fantasy NT, pois infelizmente nunca consegui jogá-lo. Comprei o jogo o pouco tempo e além de não conhecer ninguém que o possua, não consegui jamais fechar uma party randômica.

Cada personagem possui habilidades individuais e coletivas, bem como elementos de jogo como roupas e armas esteticamente diferentes a serem liberados, mas assim como com os fragmentos de história, demandam de jogar o jogo para tal.

Desnecessário dizer que esse único e superficial modo de jogo não segura a onda por muito tempo e faz com que o jogador não queira mais visitar o game mesmo sem ter sequer liberado tudo da sua desinteressante história.

Esse texto não tem a intensão de ser um review propriamente dito de Dissidia Final Fantasy NT. Não vou entrar em questões como mecânicas de jogo e assuntos mais técnicos. Simplesmente tive vontade de expor algumas linhas de opiniões pessoais acerca de um jogo que realmente me interessava muito, mas que pecou em entregar o elemento mais básico que qualquer jogo tem de entregar: conteúdo. Um problema cada vez mais comum na indústria do entretenimento eletrônico, infelizmente.

Antes que me perguntem o porquê de eu ter adquirido um jogo que muito me interessava somente um ano e meio depois de seu lançamento, me adianto. Os motivos foram dois: a antipatia geral para com o jogo aliado ao fato de que eu já estava bastante ocupado com Dragon Ball FighterZ.

Como eu disse, pensar na data de lançamento ideal é importante.

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Gamer por paixão, cinéfilo por vocação, leitor de mangás e HQs por criação e nerd pela somatória dos fatores. Acredita que os únicos possíveis cenários de apocalipse são Zumbis e Skynet e não sai para noitadas por medo do que Segata Sanshiro pode fazer se encontrá-lo.

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