Devil May Cry 4 Special Edition

Originalmente lançado em janeiro de 2008 para Playstation 3 e Xbox 360, Devil May Cry 4 prometia trazer tudo o que fez o game antecessor ser um absoluto sucesso de crítica, e que tanto agradou os aficionados por um bom hack´n slash, assim como uma história mais madura e visuais que aproveitariam tudo o que os mencionados consoles poderiam proporcionar.

Apesar do cumprimento de tais promessas, bem como o sucesso de crítica e vendas, pessoalmente Devil May Cry 4 sempre teve um específico problema: o jogo foi lançado antes de ter sido devidamente finalizado.

Com Nero, o protagonista do game e novo personagem, houve a adição de interessantes mecânicas de combate, mas jamais há um momento em que claramente podemos usá-las em sua plenitude. Ademais, a prometida história mais madura e complexa não alcança jamais a importância esperada, bem como deixa um específico fato sem a devida explicação: quem é de fato Nero.

Sete anos depois a Capcom lança de Devil May Cry 4: Special Edition, basicamente um “HD remaster” do jogo original. Em seu anuncio, além das já esperadas melhorias visuais e de performance, a produtora japonesa prometeu adições de modos de jogo (alguns já existentes na versão original lançada para PC), de personagens e de conquistas.

Dentre tais adições, mantive acessa a esperança de que terminariam devidamente de desenvolver o jogo, fazendo com que fosse possível se utilizar a contento de todas as mecânicas de combate que o game proporciona.

Graças a uma muito bem-vinda promoção da PSN, resolvi adquirir a versão digital de Devil May Cry 4: Special Edition. Após jogar bastante, me senti pronto para dar minha opinião acerca do mesmo.

Quanto ao visual e performance, os objetivos foram alcançados. O game é substancialmente mais belo, ganhou algumas “firulas visuais”, roda a cravados 60fps e agora possui auto-save, o que é muito prático. Infelizmente esse último aspecto veio com a inexplicável falta de uma opção que permita escolher slots de save, ou seja, não é possível que mais de uma pessoa possa ter seu progresso individual na mesma conta de usuário do console.

A primeira coisa que chama a atenção nessa versão são os novos personagens jogáveis. Há uma campanha para a dupla Lady e Trish e uma somente para o maior dos destaques dentre os novos chars, Vergil.

Sobre as campanhas, elas seguem exatamente as mesmas fases, na mesma ordem, da campanha original de Nero e Dante. Isso significa que para jogar todas as campanhas, com todos os personagens, será necessário basicamente repetir tudo três vezes.

Lembrando que a campanha de Devil May Cry 4, por default, obriga o gamer a jogar duas vezes as mesmas fases e enfrentar duas vezes todos os chefes.

Quanto aos personagens em si, Lady é por certo a personagem mecanicamente mais “chatinha” do jogo. Como ela é 100% humana, não pode confiar em nada além de suas armas de fogo para causar dano real nos inimigos e isso a limita a combates a distância. Ela possui sim ataques físicos, mas são lentos e pouco eficazes quando comparados às habilidades da personagem com armas de fogo.

Trish e Vergil possuem mecânicas mais tradicionais de combate, sendo efetivos tanto em ataques a distância, quanto em ataques físicos. Entretanto faltou balanceamento nesses dois.

Ambos os personagens possuem ataques muito poderosos que podem ser spamados a vontade, por não gastarem Devil Trigger, e / ou por deixá-los invulneráveis a investidas inimigas ao longo da execução dos mesmos. Ademais, tais ataques possuem propriedades de controle de espaço, então acertam vários inimigos de uma vez.

Dito isso, é absolutamente confortável afirmar que Trish e Vergil são overpower demais. No caso de Vergil, nas dificuldades iniciais, o jogador não precisará de mais do que o ataque Judgment Cut para bater o jogo. Apesar disso, jogar com Vergil aqui é tão delicioso quanto o era em Devil May Cry 3.

Dentre os modos de jogo adicionais, destaque para o modo Legendary Dark Knight, que já existia para a versão original do game para os PCs. Nesse modo, cada momento de batalha se transforma em um verdadeiro enxame de inimigos e um turbilhão de diversão.

Os demais modos se focam em aumentar insanamente a dificuldade da campanha principal, independente dos personagens que estão sendo utilizados. Bem ao estilo Devil May Cry de ser mesmo.

Bom, para mim o que mais me importava era saber se tinham aproveitado esse relançamento para ajustar o meu grande problema com o game original. E tive uma infeliz resposta.

Nada foi mudado no que cerne a design de fases e posicionamento de inimigos nas mesmas, fatores que causam, em minha opinião, os problemas de gameplay mencionados no começo do texto.

Devil May Cry 4 possui cenários muito fechados e limitados, horizontal e verticalmente, o que faz com que não seja possível aproveitar todos os recursos que as mecânicas de jogo proporcionam. Esse problema é especialmente notado quando controlamos Nero.

Além de não corrigirem esses problemas, adicionaram mais personagens com mecânicas próprias de combate, ou seja, tais problemas são agora mais visíveis do que outrora.

Ademais, a câmera ainda conspira contra o jogador com frequência, devido também a grande presença de áreas pequenas e fechadas nas fases. Tal problema ocorre com mais frequência do que em Devil May Cry 3, por exemplo.

As cutscenes da campanha de Nero e Dante não sofreram alterações, o que proporciona momentos interessantes, mas que ainda trazem os mesmos problemas de roteiro da versão original. Já com relação as campanhas dos personagens adicionais as coisas ficaram um pouco piores.

As cutscenes de Lady e Trish possuem direta relação na história principal do jogo, mas não adicionam nada de importante aos acontecimentos. Já Vergil possui zero importância em roteiro, o que se por um lado faz todo o sentido no que cerne a roteiro, por outro faz dele somente um cameo de luxo.

De qualquer maneira, as cutscenes de Vergil são decepcionantes. Mesmo que elas não pudessem possuir relação direta para com o roteiro de Devil May Cry 4, poderiam ser pelo menos visualmente atrativas. O trabalho que temos aqui infelizmente é preguiçoso e insonso.

Apesar do texto até aqui dar a entender que eu não gosto de Devil May Cry 4, isso está longe da verdade. Eu gosto bastante do game, apesar da falta de aproveitamento das mecânicas de combate e das repetições das fases ao longo da mesma campanha. Ele está longe de ser tão bom quanto seu antecessor, mas é um game agradável e um hack´n slash muito acima da média.

A questão aqui é analisar se o trabalho feito no remaster do game vale ou não o suado dinheiro do gamer e se o jogador que já jogou a versão original de Devil May Cry 4 possui suficientes razões para investir na Special Edition.

Caso o jogador não seja um grande entusiasta da franquia, esse remaster não dará razões para sê-lo. Os personagens extra podem dar sangue novo ao jogo, mas uma vez que não possuem campanhas novas os acompanhando e que a campanha base do game é consideravelmente repetitiva, esse apelo pode ser bastante mitigado.

O verdadeiro apelo de Devil May Cry 4: Special Edition é para o jogador que curte o estilo hack ´n slash, que gosta de um game bastante desafiador e que ou nunca jogou o game original, ou o adora tanto que não se importa em repetir a experiência.

Particularmente eu esperava mais desse Special Edition. Esperava realmente que os problemas mecânicos do game fossem mitigados, assim como aconteceu com DmC: Definitive Edition (que possivelmente será alvo de um review posteriormente). Dito isso, como gosto de games desse gênero e de experiências gamer hardcore, consigo jogar feliz esse remaster de Devil May Cry 4.

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Gamer por paixão, cinéfilo por vocação, leitor de mangás e HQs por criação e nerd pela somatória dos fatores. Acredita que os únicos possíveis cenários de apocalipse são Zumbis e Skynet e não sai para noitadas por medo do que Segata Sanshiro pode fazer se encontrá-lo.

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Publicado em Review

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