Teorizando Fighting Games #01: Por EduFarnezi

Sou um gamer apaixonado pelo entretenimento eletrônico como um todo. Dito isso, não somente jogo todo tipo de game, mas também estou sempre atrás de conhecer e estudar tudo o que compõe o universo desse mercado.

Apesar de ser reconhecidamente um gamer eclético, tenho clara predileção por fighting games. Acho incrível o fato de um mesmo jogo poder ser aproveitado tanto por pessoas que somente querem jogar descompromissadamente, quanto por pessoas que se dediquem a estudar e entender todas as complexidades próprias não somente do gênero, mas do game em questão.

Um fighting game competitivo é como uma cebola: possui várias camadas. Quanto mais profunda a camada, mais complexa ela o é e mais difícil masterizar os conceitos e mecânicas ali presentes será.

A grande maioria dos jogadores que embarcam em um fighting game não passa das primeiras camadas. Esses jogadores se contentam em saber que o apertar de botões fazem o personagem bater no inimigo e, no máximo, aprendem inputs simples para ataques especiais.

Quem se aventura a tentar verdadeiramente conhecer um fighting game possivelmente enfrenta um problema pontual: a grande maioria dos jogos do gênero não possuem ferramentas que realmente ensinem o jogador a entender suas particularidades.

Assim sendo, inevitavelmente o jogador irá até a internet para tentar possuir informações mais técnicas acerca das mecânicas do fighting game que ele quer dominar. Fazendo isso ele encontrará mais uma barreira: um monte de terminologias específicas com as quais ele jamais teve contato.

Footsies, Hit Confirm, Zooning, Active Frame, Link. Esses, entre outros termos, são jogados em textos e vídeos sobre “como jogar aquele jogo” sem nenhuma prévia explicação acerca de o que significam. Isso acontece porque o criador desse conteúdo já pressupõe prévio conhecimento desses conceitos e ele não está errado em fazer isso. Tais conceitos não são próprios de um fighting game em específico, mas sim conceitos básicos de qualquer game competitivo do gênero.

Ciente disso, o jogador tem de primeiro ir atrás dos conhecimentos básicos acerca das teorias de fighting game, dominar tais conceitos e terminologias, praticar tudo isso em ambiente de jogo, para depois, e somente depois, se meter a estudar as particularidades de mecânicas de gameplay de fighting games específicos.

Esse último momento de estudo é o mais pesado, pois cada fighting game possui suas mecânicas intrínsecas que devem ser estudadas, compreendidas e praticadas ao extremo.

Em resumo, se você não quer ser somente um mashador de botões ou um spammer de projéteis, é necessário primeiro estudar os conceitos básicos que norteiam todo e qualquer fighting game e depois estudar as mecânicas específicas do jogo que pretende aprender a contento.

Mas calma, a situação fica mais complexa ainda.

Após todo esse processo de estudo ainda será necessário passar pelo processo de testar os personagens que pretende masterizar, identificar quais deles farão mais seu estilo de jogo e estudar as particularidades mecânicas deles dentro o referido jogo.

Não perece ser muita coisa a estudar atoa, bem como não parece ser difícil atoa. É muita coisa e é difícil. Me arrisco a dizer que jogar fighting games “a contento” exige mais dedicação do gamer do que qualquer outro gênero. Ponto.

Sempre que assistir a algum vídeo ou stream de um grande torneio de fighting games e ver a empolgação e a idolatria dos fãs para com os jogadores que ali estão a jogar, lembre-se de que isso não é atoa. Lembre-se de que aquele seu amigo que fica atirando fireballs em você a luta inteira não é um bom jogador e que se você acha isso algo “roubado”, também não é um bom jogador.

É necessário muito suor e estudo para começar a ser um verdadeiro fighting gamer, isso sem contar a parte física da equação: a execução competente e regular de tudo o que foi estudado e compreendido.

Esse texto serve para que o leitor compreenda que há muito mais do que a vã filosofia do gamer casual imagina quando o assunto é fighting game e, espero, que se sinta compelido a acompanhar os próximos textos em que eu tentarei explicitar de maneira didática os principais conceitos básicos para quem quer iniciar sua jornada pelo mundo dos jogos de luta.

O Gamerniaco é igual a Street Fighter Victory (anime dos anos 90, que foi transmitido no SBT, lembram?!): “Nós vamos ao encontro do mais forte!”.

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Gamer por paixão, cinéfilo por vocação, leitor de mangás e HQs por criação e nerd pela somatória dos fatores. Acredita que os únicos possíveis cenários de apocalipse são Zumbis e Skynet e não sai para noitadas por medo do que Segata Sanshiro pode fazer se encontrá-lo.

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6 comentários em “Teorizando Fighting Games #01: Por EduFarnezi
  1. Muito bom seu texto Eduardo. Os jogos de luta são muitas vezes vistos como jogos plenos de ação e pouca estratégia. Se estivessem em uma régua de medida, segundo o senso comum, os RPG´s estariam em uma ponta e os jogos de luta na outra. O que é uma total bobagem. Tem jogos bem simples é verdade, mas aí temos uma bela pegadinha, muitos jogos de luta exigem conhecimento para jogar, do contrário, você apenas apanha e acha que a “máquina está roubando”. Talvez os jogos de luta sejam os mais densos e obscuros neste aspecto, não é à toa que muitas revistas de games traziam páginas e páginas de golpes e dicas. Quem pensa que jogo de luta é só memorizar uns golpes e sair batendo já perdeu por KO faz tempo. Putz, que saudades do desenho do Street Fighter do SBT… lembra do Ryu soltando seu hadouken no mar e cortando as ondas? Sensacional!
    Ótimo texto!

    Curtido por 1 pessoa

    • Para mim fighting game é o gênero de jogo mais difícil de masterizar.
      Cada luta é como jogar uma partida de xadrez sem tempo para analisar as próximas jogadas.
      Vou tentar transmitir aqui no blog, ao longo de alguns textos, um pouco de o quão complexo é esse gênero e tentar ensinar um pouco de teoria de fighting game.
      Espero ajudar alguém com isso.

      PS: Cara, a trilha sonora do Hadouken do Street Fighter Victory me arrepia até hoje. Ótimo anime!

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  2. Fala Eduardo, beleza?! Excelente texto! Eu admito que sou um péssimo jogador de fighting games e olha que meu primeiro jogo de um console foi Street Fighter 2 de Snes e joguei muito,,, o que deveria ter me desenvolvido uma habilidade maior nos jogos. Mas como você citou acima sobre o quanto envolve aprender um jogo de luta, eu percebi isso a muitos anos atrás, que não bastava saber os golpes e jogar muito um jogo de luta para ser bom nele, tinha muitas outras coisas.

    Esse pensamentos veio a vários anos atrás na saudosa Super Game Power que mostrou as técnicas dos personagens de SF que jogavam os campeões de um torneio no EUA faziam. Me lembro que o campeão foi um cara do com o Vega, segundo com o Ken e o terceiro com o Zangief. Eu vi essas técnicas e tentei a todo custo aprender a faze-las no console, mas percebi que ali não era somente “saber como fazer”, mas ter o “timming ou sincronia” perfeita em fazer aquilo e sem errar. Com isso percebi que existiam mais camadas em SF que somente fazer os golpes e assim aprender a ser um verdadeiro bom jogador em jogos de lutas.

    Isso voltou agora (pelo menos que tenho visto) nos EVO´s de uns anos para cá! Eu vejo o quanto o SF é um jogo técnico que somente apertar botões e muito mais que pensava a anos atrás quando vi aquilo na Super Game Power.

    Mas muito legal esse seu texto! Espero que isso seja transmitido a mais pessoas, assim como você fez.

    Grande Abraço.
    Ivo.

    Curtido por 1 pessoa

    • Grande Ivo!
      Seja muito vem vindo!

      Sou apaixonado por Fighting Games.
      Infelizmente não possuo o tempo necessário para me dedicar em treinamentos e afins, mas sempre estou a estudar a parte teórica dos jogos que mais gosto.
      Posso afirmar hoje que entendendo muito de jogos de luta, mas que não sou um jogador lá muito bom por falta de treinamento.
      Infelizmente nem tudo é só estudo.
      Kkkkkkk!

      Vou deixando aqui mais textos acerca de teoria de fighting games no geral. Tentarei fazer os textos da forma mais simples o possível, para facilitar o compreendimento de quem neles se interessar.

      Passa ae depois e me conta de te ajudou!

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  3. Grande Edu, excelente análise dos fighting games! Eu de vez em quando me arrisco em alguns, mas como você disse, é um gênero que exige muita dedicação para quem quer aproveitar 100% do jogo (estou longe de chegar nesse nível!). Mas seja com pessoas que “manjam” ou não, um fighting game sempre diverte aquela roda de amigos (ainda mais se tiver cerveja junto)!

    Curtido por 1 pessoa

    • Rapá, tenho uns colegas que jogam games de luta embriagados muito melhor do que sóbrios.
      É o “efeito imprevisibilidade”. Se nem eles sabem o que estão fazendo, como o adversário fará a leitura de jogo deles?!

      Valeu pela visita e espero que se torne figurinha corriqueira por aqui!

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Novo fundo de tela, para deixar os inimigos temerosos.
Razing Storm, rapá! Sensei @leandrofoloni , chegou a sagrada hora.
Honre-me com vossa sabedoria.
Doutrine-me em Tekken 7! Hora de platinar de novo.
Meu usuário Br merece "saparada"! Já que inventei de fazer um novo PSNID, agora Br e para sempre, perdi meus troféus de meu user USA do período de PS3.
Entretanto, certas Platinas são xodós. São do coração.
Assim sendo, eu vou, no atual user, refazer algumas delas.
É claro que vou começar com a Platina mais xodó dentre as Xodós.
Tem quem chamaria isso de "duplo-masoquismo", mas eu chamo de diversão.
Simbora recuperar minha honraria em Devil May Cry 3! Quando você termina de customizar seu Guardião e pensa: "meu Zeus, fiz um Power Ranger"! Não importa quem seja seu ídolo, ele simplesmente não é nada perante esse mito.
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