Experiência, Opinião e Reviews – Por EduFarnezi

Escrevo para sites de games a muitos anos. Aliás, o faço a tanto tempo, que acredito ter começado em um período em que eu sequer tinha a experiência e a redação necessários para fazê-lo. Dito isso, obrigado senhor Sammy por abrir as portas, há tantos anos, para escrever para o Game Hall.

Ao longo desse período amadureci muito minha “entidade gamer”. Descobri que amo o universo do entretenimento eletrônico o suficiente para não somente me contentar em ser um inveterado jogador, mas para estudar, o quão aprofundado me for o possível, suas particularidades, em todas as suas vertentes.

Obviamente isso me torna tecnicamente cada vez mais conhecedor desse mundo, bem como cada vez mais crítico acerca daquilo que jogo. Ou como meus amigos gostam de dizer, chato.

Me interesso cada vez mais por me aprofundar nesses estudos e a sempre colocar meus aprendizados à prova. Também, por algum motivo inexplicável, me interesso cada vez mais em escrever sobre minhas análises acerca de tudo o que circunda o mundo dos vídeo games.

Essa vontade de escrever me fez parar por algum tempo em frente a meu notebook e trazer até vocês esse texto. Texto esse, baseado em uma das minhas inúmeras análises para com tudo o que circunda o mundo do entretenimento eletrônico, que serve basicamente para lhe dizer que se alguém lhe informar que opinião pessoal não vale nada, você pode mandar esse alguém enfiar essa frase no rabo dele.

Partirei da questão primordial que me motivou inicialmente a formatar esse artigo: reviews. Isso mesmo, porquê se você acha que é possível fazer uma análise apenas vomitando argumentos técnicos, trago más notícias para você.

Lembrando que tudo o que foi e que ainda será abordado nesse texto retratam tão somente minhas visões acerca de tais temas, bem como são consequências de minhas análises pessoais acerca de tais visões. Pode até parecer, mas não estou aqui para dar um “guia da verdade gamer” para ninguém, apesar de esperar que o leitor que até o final chegar tenha algum momento válido de reflexão, mesmo que seja para não concordar com nada do que leu.

Uma análise obviamente deve levar em consideração questões técnicas e para tal o avaliador deve possuir conhecimentos mínimos acerca de tais questões. Isso o auxiliará a explicar a contento para seu público o porquê de algumas características de um jogo serem ou não pontos positivos ou negativos.

Isolemos um dos alicerces de um jogo para fins de exemplificação, mesmo que de maneira bem macro. Vamos trabalhar com a questão de análise do gameplay de um jogo.

É importante entender tecnicamente quais são os aspectos que fazem com que o avaliador diga se o jogo entrega ou não uma boa experiência com relação ao gameplay. Muitos aspectos entram em cena aqui: Estilo de jogo, design dos ambientes, mapeamento dos botões, delay input de comandos, precisão de captura dos comandos, variedade de comandos, complexidade de comandos, dificuldade nativa do jogo, entre muitos outros.

Tudo o apresentado acima demanda realmente conhecimentos técnicos para serem devidamente analisados. O problema é tais conhecimentos compilados e isoladamente apresentados não compõem devidamente um review.

Outros dois aspectos são muito importantes para se fazer uma análise: a experiência de quem está jogando e também as preferências gamer desse jogador. Na verdade, uma coisa é completamente dependente da outra.

Como, independente do conhecimento teórico adquirido de game design, poderia eu realizar um julgamento válido acerca de gêneros de jogos dos quais não jogo e, portanto, não compreendo?

Não gosto de jogos de futebol. O último game que joguei e que verdadeiramente me diverti fazendo-o foi o saudoso International Superstar Soccer Deluxe, para SNES. De lá para cá, foram somente uma partidinha ou outra, completamente descompromissadas, de um Winning Eleven ou um FIFA, lá no Playstation.

Entenda, eu não gosto desse tipo de jogo, assim sendo, não os jogo. Como eu poderia jogar qualquer jogo de futebol atual e conseguir avaliar o seu gameplay de maneira justa, uma vez que eu já estaria jogando de “nariz torcido”?

Vou mais longe ainda. Como poderia eu realizar tal avaliação sem possuir um cabedal de experiências com jogos desse gênero que me permita fazer relações válidas entre o gameplay de um jogo atual com jogos mais antigos?

Como poderia eu ter a exata ciência de que por mais que em elementos básicos, como tempo de resposta de comandos, o jogo se saia bem, ele é um bom representante de um jogo de futebol se eu não examinei outros jogos de futebol do passado? Afinal de contas, muitos outros jogos de futebol podem ser bem mais competentes do que o que eu estaria experimentando e essa minha falta de experiencia obscureceria e diretamente influenciaria minha análise acerca do gameplay do jogo que eu estou jogando no momento.

Ora, só posso ter experiência em um gênero se eu o jogar com regularidade. Enquanto jogador, só se joga com regularidade aquilo que se gosta. Ou seja, somente podemos possuir verdadeira experiência e conhecimentos específicos de um tipo de jogo se gostamos muito desse tipo de jogo.

Aliar conhecimentos técnicos com experiência de jogo é a chave de um review o mais honesto o possível.

E daí, depois de toda essa ladainha, você me pergunta: “mas cadê a influência da opinião pessoal em um review”?

Caso ainda não tenha feito sozinho essa relação ao longo do texto, não tem problema. Continuemos.

O fato de a experiência de quem está fazendo o review ser um importante pilar na construção do mesmo, por si só já é uma clara evidência de que opinião pessoal é importante.

Como já foi mencionado, a experiência advém necessariamente do ato de se jogar. Não se joga aquilo de que não se gosta, ou pelo menos não se joga um ou mais gêneros de jogos que não se gosta. Assim senso, há de concordar comigo de que a opinião de quem não joga um ou mais tipos de jogos é que esses não são bons, ou que pelo menos não o agradam, bem como o vice-versa também seria verdadeiro.

O que jogar, e daí quais tipos de jogos obter a experiência necessária para criar relações de comparação e avaliar melhor o que é ou não bom dentro daquele gênero, provém de uma origem absolutamente subjetiva: o gosto pessoal.

Por mais que um gamer seja bem eclético com o que jogar, há sempre suas preferências e seus desgostos. Sempre haverão tipos de jogos os quais teremos mais experiência para com eles, bem como aqueles dos quais mal conseguimos mensurar suas superfícies mecânicas.

Vou mais longe. É absolutamente possível gostar de jogos ruins, por mais que se saiba que são ruins, e que se tenha absoluta ciência de o porquê, em uma análise justa, tais jogos são considerados ruins. Bem como é plausível a situação inversa, não gostar de um jogo que você sabe que possui todos os elementos de um bom jogo alinhados.

E não, as duas últimas situações apresentadas acima não fogem do escopo do assunto do texto, pois talvez a parte mais importante de uma análise é justamente a transmissão para o leitor (ou ouvinte, ou espectador) das sensações que o jogo proporcionou ao criador da análise.

E sim, a nota de um jogo pode ser baixa e você pode ter todos os motivos do mundo para justificar o fato de o game ser ruim, mas isso não elimina o fato de ao longo do review ficar claro o quanto, mesmo com os problemas apontados, o game conseguiu trazer algum nível de diversão e ser específico em como você reagiu a isso.

Já cansei de ter boas experiências de jogo com jogos que são no máximo medíocres, mesmo sabendo de todos os problemas do mesmo. Estão aí Shinobi e Kunoichi (Nightshade), pérolas da mediocridade para Playstation 2 que eu adoro, que não me deixam mentir.

Um texto que apresente um caminhão de termos e questões técnicas acerca de um game pode servir para apresentações da E3, para reuniões da equipe de desenvolvimento e afins, mas para quem procura um review para saber o como o jogo o é, de jogador para jogador, isso não é o suficiente. Nesse segundo caso é necessário ir além e também conversar com esse leitor de jogador para jogador.

Então da próxima vez que estiver conversando com seu amigo sobre algo referente a games e ele não achar suas conclusões válidas, unicamente se valendo do clássico “essa é só a sua opinião”, sem apresentar contra-argumentos para continuidade do papo, lembre-se em especial do início desse texto e mande ele enfiar logo essa frase sem vergonha no rabo dele.

Caso queria fazer algo mais elegante, lembre-o que concordar ou não contigo é nada mais do que um alinhamento opinativo com o que foi exposto, ou seja, é só mais uma opinião.

PS: Não confundir opinião com unilateralidade argumentativa, isso é coisa de ista idiota. Até porque, para compormos uma opinião sólida acerca de algo não podemos isolar variáveis, por quaisquer que sejam os motivos. Mas o desenvolvimento desse raciocínio fica para um outro dia…

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Gamer por paixão, cinéfilo por vocação, leitor de mangás e HQs por criação e nerd pela somatória dos fatores. Acredita que os únicos possíveis cenários de apocalipse são Zumbis e Skynet e não sai para noitadas por medo do que Segata Sanshiro pode fazer se encontrá-lo.

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4 comentários em “Experiência, Opinião e Reviews – Por EduFarnezi
  1. Eu gostei do seu texto. Por mais que um jogo atual seja bem complexo e possa ser avaliado com um monte de info´s técnicas, eu acho que esse tipo de texto (o técnico) é válido para suprir parte da demanda de quem lê. Por exemplo. Será que jogo X roda no meu PC? Ou, tá dando lag ou não na versão do meu console? Detalhes técnicos são bem legais. Mas… tem o outro lado da demanda. Esse lado é saber se efetivamente o jogo é legal ou não. E aí caímos no mundo da total subjetividade. Você mesmo afirmou ter se divertido com jogos ruins.

    O legal do texto de opinião é que eu vejo uma face daquele jogador em relação ao jogo. Eu não busco uma resposta absoluta, eu busco a experiência daquele jogador em relação ao game. Essa coisa é fantástica porque um mesmo jogo pode ser maravilhoso para uma pessoa e horrível para a outra, mesmo que o jogo tecnicamente seja competente. Essas flutuações eu acho fascinante! É por isso que a frase “é só a sua opinião”, tentando desqualificar o bate papo, não faz sentido. Pois o legal é exatamente a opinião. Mesmo um texto que parte para o lado 100% técnico vai ter uma marca pessoal do autor. Não tem como escapar. ^_^

    O review pode ser técnico, pessoal ou um misto dos dois, é tudo válido! Mas eu concordo com você que uma pessoa que vai escrever sobre jogos, deve pelo menos ter jogado para poder falar sobre o jogo. É o básico kkkkkkkkkk

    Se a pessoa partir para um texto bem técnico, vai ter que ter noções daquilo que está falando… tem que saber o que significa frames por segundo se for criticar os lags… e por aí vai. ^_^

    Acho que a regra, se é que existe alguma regra. É ser sincero. Não tem como escrever sobre jogos de futebol se o cara não gosta e não joga… seu exemplo foi muito certo.

    Existem várias formas de uma pessoa fugir do debate, da troca de ideias. Eu acho que a frase: “é só a sua opinião” é uma dessas escapadas. É claro, se eu afirmo que o Playstation 2 vendeu mais que o Atari 2600, isso é algo que a outra pessoa pode pedir algo que comprove a afirmação, mas tem muita coisa em um bate papo que é apenas opinião mesmo, e isso é ótimo! São coisas pessoais de cada um que enriquece o diálogo e o debate. Por exemplo, se eu afirmar que o Atari 2600 foi mais impactante e melhor que o Playstation 2, mesmo parecendo um absurdo, é algo que não existe um conjunto específico de números que vão me desmentir ou provar a afirmação. E é neste momento que as opiniões surgem, é neste momento em que o debate vai ganhando força, o bate papo fica legal.

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  2. Fala Eduardo, parabéns pelo texto primeiramente. O comentário do Ulisses completa todo meu pensamento e acrescendo somente mais alguns detalhes. Pode parecer bobo que vou dizer mas existe hoje uma “opinião total do jogador sobre todos os jogos”. O que é isso? Uma pessoa opinar, fazer reviews, ter opiniões sobre o eles… todos os tipos de jogos. Não que isso seja algo errado, mas o que quero dizer é que percebo que a pessoa vai opinar sobre um jogo de futebol contando que a experiência mais completa dela é um jogo de luta (bem em cima daquilo que você disse em ISSD). Eu mesmo não consigo fazer um review sobre jogos de estratégia porque minha bagagem em jogos anteriores desse estilo em opinar. E isso cria algo superficial muitas vezes e por outras uma opinião negativa do jogo ou outros detalhes. E quando alguém vai contra essa opinião entra no velho dilema: Ah” Isso é apenas uma opinião”.

    Novamente pode parecer bobo, mas aquela separação de pessoas na antiga SuperGamePower para Baby Betinho para jogos de Luta, Akira em RPG, Majorie em jogos de aventura se encaixa tão bem que vejo isso com outros olhos hoje, algo que parecia bobo na verdade tem um sentido hoje ao meu ver.

    Essa é minha crítica “Experiência, Opinião e Reviews”.

    Novamente parabéns pelo excelente texto.
    Ivo.

    Curtido por 1 pessoa

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Quem disse?! Parte do pagamento da aposta perdida: Concluído.
E vou te te falar, foi MUITO mais fácil que o esperado. Eu mal jogo saporra! Kit Destiny 2: concluído!
Agradecimentos especiais ao senhor André Pozar. Daí tu acha que capturou um Rattata e...
Surpresa! Aquele momento em que você descobre que se mudou para o lado de um PokeStop! QlikView, meu velho colega...
Há algum tempo não lhe vejo.
Bon dia!
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