Sobre como não ser um idiota ista #01: Por EduFarnezi

Normalmente evito certo tipo de conteúdo que eu considero inútil ou de baixa qualidade nesse mundão dos criadores de conteúdo gamer. Eu tenho muito pouco tempo para me dedicar a meu hobby e por isso sou bem seletivo acerca de o que e quem acompanhar.

Pior que os acima citados, abomino e passo longe de criadores de conteúdo que disseminem desinformação e ignorância acerca do universo do entretenimento eletrônico.

Apesar dos meus esforços em evitar esse tipo de pataquada, devido a alguns grupos em que estou incluso, sejam de fóruns ou redes sociais, eventualmente tropeço em conteúdos que carinhosamente chamo de “lixo audiovisual”.

Os limito a “audiovisual” pois com certeza são provindos de criadores de conteúdo que não possuem redação o suficiente para escrever. E sim, isso é uma simples suposição minha, pois eu não perderia tempo procurando mais daquilo do que já vejo em vídeos que é muito ruim.

Nesses grupos fica evidente o quão cancerígeno tais conteúdos o são, dadas as besteiras horrendas e inenarráveis proferidas por muitos dos integrantes. Usualmente fica claro que são pessoas que não se dão ao trabalho de pesquisar e se informar acerca de qualquer coisa antes de aceitar incondicionalmente o que é dito por um terceiro, desde que esse compartilhe de sua obsessão doentia por uma marca / companhia.

Não pretendo nesse texto discorrer acerca desse acéfalo gênero de ismo, a proposta aqui é outra. Entretanto esse texto foi motivado justamente por um desses “lixos audiovisuais” no qual tropecei em um grupo dos quais participo.

No vídeo que infelizmente assisti, de um canal de You Tube que me recuso a aqui fornecer o nome para não motivar mais ninguém a dar audiência para um criador de conteúdo de visível má fé, tenta discorrer acerca da rixa entre os chamados “caixistas” e “sonystas” (vulgo istas).

De acordo com a mula sem cabeça que era o host do vídeo, a defesa acirrada de uma marca é algo absolutamente normal. E para isso valia tudo aparentemente, o que incluí ofender o alheio, manipular e inventar informações, entre outros.

Na verdade o host do vídeo chega ao cúmulo de comparar o “cenário ista” gamer ao ambiente futebolístico nacional, em que aparentemente é normal torcer, brigar e criar rixas em nome do time do coração.

Somente esse trecho do vídeo é de uma ignorância tão grande que, pelo menos, me motivou a fazer a coisa mais inteligente a ser feita naquele momento: fechar o navegador e parar de assistir aquela abominação.

Achar que o que ocorre nesse sentido em ambiente esportivo normal, já é ignorância demais para uma pessoa por si só. Tentar criar uma relação disso para justificar o incentivo a esse tipo de comportamento na comunidade gamer vai além, é mau-caratismo mesmo.

Esse é o tipo de gente que incentiva ruptura na própria comunidade que deveria ser unida em prol de uma única causa: games. Todo gamer é apaixonado por games, não importa em que plataforma eles estejam e quais plataformas existam no mercado.

Permitam-me discorrer sobre o que é normal e absolutamente saudável, não só nesse, mas como em qualquer outro mercado: preferência e concorrência.

É totalmente normal em qualquer mercado no qual não haja monopólio, que o consumidor possua sua preferência para com uma marca, companhia e / ou produto. Tal preferência surge da análise racional de custo-benefício que cada uma das opções disponíveis proporciona.

Essa análise é relativamente simples para o consumidor que já possui conhecimento do mercado específico e das opções existentes, mas pode se tornar um pouco mais trabalhosa para quem quer se aventurar por águas que ainda não conhece, exigindo pesquisa e paciência.

Como toda análise racional do gênero, é necessário colocar na mesa os pontos positivos e negativos que cada um dos produtos de um mesmo gênero possuem, dadas as necessidades e preferências de cada pessoa.

No caso do mercado do entretenimento eletrônico obviamente as regras são as mesmas. Dou como exemplo meu caso, em resumo, no momento em que me decidi finalmente adquirir um console de atual geração.

Como o WiiU me era uma carta absolutamente fora do baralho e o Switch ainda não era uma opção disponível, minhas análises se deram entre Playstation 4 e Xbox One.

De um lado a Microsoft oferecia um console um pouco mais barato, com jogos um pouco mais em conta, um melhor suporte nacional e uma estrutura para jogatina online bem mais estável e confiável. Entretanto a variedade de jogos me era particularmente limitada e com poucos jogos orientais.

De outro lado o console da Sony possuía como exclusivos algumas das franquias de jogos que me chamavam mais atenção, possui uma boa quantidade de jogos orientais, mais variedade de gêneros de jogos, mais enfoque em experiência single-player e minha base de amigos que possuíam do console era bem maior do que os que possuíam o concorrente.

Como meu perfil de jogador não é de foco em games multiplayer, mas sim priorizar experiência de qualidade single-player, e como tenho um grande fraco por games verdadeiramente orientais, fiz a escolha mais lógica para mim: o Playstation 4.

Ele tem seus pontos negativos, bem como há áreas em que o Xbox One me seria uma melhor opção, mas uma vez realizada minha análise de custo-benefício, ficou clarividente qual seria a opção que melhor se adequaria àquilo que eu procurava em um console.

Atualmente, independente do que meus amigos que preferem o console da Microsoft digam, mesmo que com válidos e racionais argumentos, não há possibilidade de que eu troque meu Playstation 4 por um Xbox One. Estou absolutamente satisfeito com o produto que adquiri, pois ele supri minhas necessidades gamer satisfatoriamente.

Infelizmente não vivemos em um país em que seja viável para a grande parte da população possuir ambos os consoles, assim sendo é necessário ser o mais assertivo o possível ao gastar mais de mil reais em um videogame. Valor esse considerando somente o console, pois ainda temos as assinaturas anuais para jogatinas online (um verdadeiro absurdo que abordo AQUI), eventuais futuras manutenções no console, compras de periféricos e de jogos, etc.

Preferência por uma marca ou produto é algo normal e que incentiva a concorrência entre eles. Quem ganha com isso é sempre o consumidor.

Peço encarecidamente a todos os quais esse texto alcançou que parem e pensem se o que você sente é uma obsessão ignóbil e cancerígena, eu se somente a preferência por seu console favorito. A chave para descobrir isso é simples: se você chegou a um ponto de sentir mais ódio pelo “concorrente” do que amor pelo seu console escolhido, já chegou no ponto de ser um ista. Se assim o for, lhe peço desculpas por agora, pois basicamente te ofendi ao longo desse parágrafo, mas há solução. Sempre há tempo de sair dessa.

Caso não seja um ista, pare e pense consigo mesmo se os criadores de conteúdo que vocês seguem e por acaso admiram, passam mais tempo incentivando você a jogar, lhe entretendo e informando acerca do mundo gamer, do que fomentando o ódio ao alheio.

Se assim o for, esse criador de conteúdo, no mínimo, não é um disseminador de “lixo audiovisual”. Se o conteúdo criado é bom ou não, essa é outra história.

Caso o criador de conteúdo ao qual você dedica seu tempo acompanhando se foca em fomentar o ódio à “concorrência”, o primeiro passo para sair de um caminho muito triste, ou mesmo não adentrar nesse “lado negro da comunidade gamer”, é parar se seguir e dar ouvidos a esse tipo de gente.

Faça um favor a você mesmo e seja um gamer, não um ista. Garanto que será um caminho bem mais divertido e saudável.

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Gamer por paixão, cinéfilo por vocação, leitor de mangás e HQs por criação e nerd pela somatória dos fatores. Acredita que os únicos possíveis cenários de apocalipse são Zumbis e Skynet e não sai para noitadas por medo do que Segata Sanshiro pode fazer se encontrá-lo.

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Publicado em Artigo
4 comentários em “Sobre como não ser um idiota ista #01: Por EduFarnezi
  1. Gamer Caduco disse:

    Perfeito o texto!
    Eu acho saudável brincar com a concorrência, normal, divertido, não ofende ninguém… eu mesmo vivo brincando de SEGA x Nintendo, mesmo amando as duas… mas o povo chega num nível de discussão às vezes que beira o absurdo mesmo. As vezes se apega a detalhes que nem fazem sentido serem ditos só para “ganhar” uma discussão. Como se discussão tivesse vencedor… pra mim ganha todo mundo que fica sabendo mais sobre o universo que tem menos contato.
    Eu tenho seguido a linha Sony e Nintendo nos últimos anos, por questão de preferência mesmo, mas sempre tenho acompanhado a Microsoft para saber o quem tem surgido de bacana pelo lado verde. Até pq, a hora que ela parecer mais interessante, eu vou migrar sem pensar duas vezes.
    Até entendo adolescentes que fazem esse tipo de coisa, é uma fase confusa da vida e a gente se apega à coisas/marcas para tentar criar uma identidade… tipo, é um saco, mas eu entendo… mas a partir do momento que um cidadão de certa idade faz o mesmo, aí é alarmante. E isso vale pra tudo, futebol, games, música, etc…
    Torcendo para que este texto atinja quem tem que atingir, pq é dose aguentar certas coisas.

    Curtido por 1 pessoa

    • Opa!

      Na verdade brincar com a situação competitiva entre as empresas é legal. Saem boas piadas e situações engraçadas disso.
      O problema é quando isso sai da orla do bom humor, da brincadeira, e atinge o status de obsessão.
      Atualmente basta uma rápida visita em grandes fóruns de games e em canais aleatórios de You Tube do mesmo assunto, para observarmos a proporção em que o “ismo” chegou.
      É de um desperdício inenarrável!

      O triste mesmo é esse exato tipo de pessoa me criticar por estudar a sério game design por conta, enquanto passa todo o exato tempo em que eu estou jogando e estudando minha paixão caçando briga atoa online…

      Valeu pela visita amiguinho.
      Aliás, estive sem internet praticamente um mês.
      Estou voltando a ativa essa semana, então já já estou lhe visitando no seu blog (bem como o de todos os outros parceiros).
      Terei muita coisa para colocar em dia.

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  2. Gostei do texto. Mas eu entendo o prazer em defender empresas que a gente usa e nem trabalha nelas. Somos seres emocionais que eventualmente usa a razão. A razão não é natural, precisa ser construída. A emoção é nativa. Talvez seja por isso que pessoas com personalidade em formação se apegam demais a marcas e coisas. Claro, manter essa atitude depois dos 25 30 anos é lamentável. É personalidade não formada.

    No ato da compra, além do racional, também tem um lado emocional forte agindo. O que define a compra é o tesão, a emoção e o irracional. Depois desse turbilhão de emoções a gente usa a razão para justificar a compra.

    Toda propaganda é feita para mexer com nossas emoções.
    Propagandas racionais não existem, porque não existem consumidores racionais.

    O ismo é esse lado emocional que acabou saindo de controle. É um problema sem dúvidas.

    Curtido por 1 pessoa

  3. […] quiçá mundial. Já havia escrito um texto com enfoque nesse assunto há algum tempo (clique AQUI caso queira lê-lo) e como fica claro no título, ele era somente o […]

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